Muitas pessoas têm dúvidas sobre as diferenças entre homens e mulheres no residencial para idosos. Será que o procedimento de institucionalização é diferente? Lá dentro, o tratamento é igual? Para responder a essas e outras perguntas, conversamos com a doutora Ana Catarina, médica da equipe Cora. Confira!

Eles e elas: por que há mais mulheres nos residenciais?

Segundo a geriatra da Cora, Dra. Ana Catarina Quadrante, é comum que existam mais mulheres do que homens em residenciais para idosos porque as mulheres vivem mais. Consequentemente, a quantidade de pessoas idosas do sexo feminino é maior.

De acordo a Organização Mundial da Saúde, a expectativa de vida das mulheres é 5 anos mais alta que a dos homens. Um estudo na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, aponta que os índices de estrogênio no corpo feminino podem estar relacionados a isso. O hormônio teria a capacidade de proteger os telômeros, parte dos cromossomos responsáveis pela longevidade.

Uma pesquisa da University College London, em Londres, sugere que o fato das mulheres terem dois cromossomos X também pode estar ligado à longevidade. Os cientistas explicam que, além da duplicidade funcionar como uma espécie de cópia de segurança, a unidade X carrega mais genes prolongadores da vida. Como nos homens a combinação é XY, há uma redução do componente. 

Mais um fator que influencia na expectativa de vida dos sexos é a cultura. De acordo com um artigo científico da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, mulheres de sociedades ocidentais costumam ir mais ao médico e cuidar melhor da saúde ao longo dos anos. Enquanto isso, incentivos ao sexo masculino para comportamentos violentos colaboram para que mais homens morram em conflitos armados e acidentes de trânsito.

No entanto, graças às campanhas de conscientização antiviolência, os estudiosos acreditam que nos próximos anos essa causa deixará de existir e a expectativa de vida masculina aumente.

Homens e mulheres: o que é diferente e o que é igual nos residenciais para idosos

A Dra. Ana Catarina Quadrante explica que não há diferença no processo de institucionalização de homens e mulheres. O procedimento é igual para ambos e deve levar em consideração o que o idoso gosta e do que precisa. As diferenças estão relacionadas a cada indivíduo – ou seja, a sua personalidade, necessidades e preferências, e não ao sexo ou gênero.

Uma vez vivendo no residencial para idosos, os cuidados permanecem iguais para todos, preservando as necessidades de cada um. Em outras palavras, não há diferença no cuidado entre homens e mulheres por conta do sexo – a equipe fornece toda a atenção e atendimento sem qualquer distinção. Em paralelo, o time é treinado para captar os desejos de cada pessoa e respeitar a individualidade.

Alguns preferem ficar mais quietos, outros gostam de conversar mais. Existem os que preferem artesanato, e os que gostam de pintura. E independentemente do sexo, a equipe atende as demandas coletivas e individuais igualmente.