O que é Alzheimer:

Facilmente confundido com a “velhice”, o Alzheimer é um tipo de demência que afeta, principalmente, pessoas acima dos 65 anos. É um transtorno neurodegenerativo que atrofia o cérebro de maneira lenta, progressiva e prejudica as funções cognitivas, especialmente a memória. Dependendo do estágio, o Alzheimer também afeta o comportamento, as habilidades motoras, a locomoção, a comunicação, a deglutição, e diversas outras capacidades.

O médico alemão Alois Alzheimer foi quem descreveu pela primeira vez a doença, em 1907. Como acomete mais de 30 milhões de pessoas no mundo, principalmente os mais velhos, muitas pessoas buscam ter mais informações a respeito das suas causas e do que vem a ser exatamente a doença.

O Alzheimer afeta a comunicação entre as células presentes no cérebro e este processo, infelizmente, não é reversível. Conforme as células vão reduzindo em tamanho e em número, a pessoa vai perdendo a capacidade de lembrar das coisas e dos seus conhecidos.

O quadro vai avançando com o passar do tempo e cada vez mais neurônios e células cerebrais vão morrendo. Com isso, a pessoa com Alzheimer já apresenta dificuldades em compreender instruções, manter um raciocínio e de articular suas ideias com clareza. Uma característica da doença é também a confusão mental.

Numa fase de moderada para avançada, o dano cerebral é tamanho que, em alguns casos, chega a afetar a habilidade motora. O enfermo passa a ter dificuldades de fazer sua higiene sozinho, de caminhar sem tropeçar e de se alimentar por conta própria. Neste estágio, a pessoa se torna totalmente dependente.

Existem dois tipos de mal de Alzheimer: a Esporádica e a Familiar.

A Esporádica é a mais comum e afeta principalmente pessoas acima dos 60 anos, ela pode ou não ter antecedentes família.

O Alzheimer Familiar é muito mais raro e pode ser passada de uma geração para a outra. Um gene, de nome ApoE14, é o único associado a Doença de Alzheimer até o momento, então se algum dos pais ou avós com este gene tiver a doença, a probabilidade dos filhos ou netos terem também é de 50%.

Quais são as possíveis causas?

Muitos estudos têm avançado na direção da genética para compreender melhor as causas do Alzheimer.

Cada vez mais médicos e cientistas estão descobrindo novas informações sobre as alterações químicas cerebrais que resultam nos danos das células, todavia, com exceção das pessoas com o mal de Alzheimer Familiar, não se sabe exatamente os motivos pelos quais uma pessoa desenvolve a doença e outra não.

Várias causas suspeitas são investigadas, como perturbações bioquímicas, fatores ambientais e processos imunitários. As causas podem ser por um ou vários fatores e variam de pessoa para pessoa. Contudo, estudos mostram que o ambiente em que se vive e o estilo de vida de uma pessoa podem inibir o desenvolvimento da doença, por isso, prevenir é a palavra-chave.

Como é feito o diagnóstico da doença?

Apesar de manifestar-se com mais frequência nas idades mais avançadas, o Alzheimer tem um longo e progressivo desenvolvimento até aparecerem os primeiros sintomas. Depois de estabelecido, não tem cura.

É uma doença de difícil identificação em sua fase inicial, contudo é justamente o diagnóstico precoce que ajuda a diminuir a velocidade de progressão dos sintomas.

Qualquer pessoa pode desenvolver essa patologia, no entanto o Alzheimer tende a acometer pessoas maiores de 60 anos e que estejam dentro dos fatores de risco.

No mundo, 1 em cada 4 pessoas, acima dos 85 anos, sofre com a doença de Alzheimer. O prognóstico é que os indivíduos acarretados pela doença tenham uma esperança de vida de 7 a 10 anos em média.

Qual médico pode diagnosticar e tratar o mal de Alzheimer?

Três especialistas podem diagnosticar o Alzheimer:

– Geriatra

– Neurologista

– Psiquiatra

Como saber se uma pessoa está com Alzheimer?

O médico faz o diagnóstico presuntivo da doença através da história, do exame físico, de testes que avaliam as funções cognitivas e pela realização de exames para descartar outras doenças que possam ter sintomas semelhantes.

O exame definitivo para diagnóstico da doença de Alzheimer é o exame anatomopatológico do tecido cerebral. Esse exame só pode ser realizado após a morte do indivíduo.

Quais são os sintomas?

– Perda de lembranças e memórias (principalmente de acontecimentos recentes.

– Perda da habilidade de interação social

– Reações agressivas, desmotivadas ou ansiosas

– Dificuldade na formação de frases com sentido

– Problemas de localização (seja em ambientes conhecidos/ horário / dia da semana)

– Dificuldade em compreender a fala de outras pessoas

– Dificuldade em reconhecer pessoas que fazem parte do próprio círculo social

Quais os estágios da doença?

O Alzheimer tem 3 estágios: o leve, o moderado e o avançado.

Primeiro estágio

De acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), os desafios do primeiro estágio são relacionados ao conhecimento da doença. Procurar o máximo de informações possíveis, ponderar se comunica ou não a pessoa sobre sua patologia e buscar tratamentos é dever do familiar.

Há casos em que os familiares preferem preservar o paciente do impacto da notícia, já que o Alzheimer não tem cura.

Neste estágio também é importante estimular a participação em atividades sociais, recreativas e culturais. Se o paciente ainda trabalhar, é recomendável que ele continue, desde que consiga realizar suas funções, sem causar riscos a si mesmo ou a outros e se sinta confortável. A inatividade física e mental acelera o avanço do Alzheimer

Segundo estágio

No segundo estágio, o moderado, é preciso pensar na rotina da casa, incluindo os cuidados com o paciente em tempo integral, e garantir a sua segurança emocional, física e financeira. É importante incentivar a autonomia e a independência nos pequenos afazeres dentro de casa, por exemplo, para que a pessoa se sinta incluída socialmente e útil de alguma forma.

Nesta etapa o paciente ainda se comunica, mas se confunde muito e esquece várias coisas. O fato de corrigi-lo ou não varia de acordo com o perfil da pessoa. Uma sugestão é lembrá-lo dos fatos com calma e observar como ele reage a isto. Se for uma situação de muito estresse, é melhor evitar e apenas desviar do assunto.

Importante!

Um dos grandes desafios para cuidadores de pessoas com o mal de Alzheimer é lidar com a agressividade física e verbal. As mudanças de humor e a irritabilidade podem aparecer no estágio moderado.

A recomendação da Alzheimer’s Association (Associação de Alzheimer norte-americana) é tentar identificar o que causou a agressividade, ponderando a situação ao redor e os sentimentos por trás das palavras do paciente, acalmá-lo falando em tom baixo tentando controlar a situação e procurar não ficar chateado com o ocorrido.

Terceiro estágio

Além de todos estes cuidados, a fase avançada requer atenção redobrada, supervisão e auxílio em tempo integral para as tarefas básicas como: comer, tomar banho, vestir-se e etc.

É preciso buscar alternativas de comunicação com o paciente, uma vez que é normal que ele perca as funções cognitivas. É recomendável, sempre que possível, tentar entender suas vontades e preferências, até para as atividades pequenas do dia a dia.

Nesta fase é importante não isolar a pessoa do mundo e demonstrar muito afeto. Visitas de parentes e amigos ou um passeio tranquilo no parque podem lhe fazer muito bem.

Quais os fatores de risco da doença Alzheimer?

Alguns fatores podem aumentar as chances de alguém desenvolver a doença, são eles:

– Idade

– Genética e hereditariedade

– Ser do sexo feminino

– Baixo nível educacional

– Traumatismo cranioencefálico

– Doenças cardiovasculares, diabetes, depressão, obesidade e estilo de vida (Como tabagismo e sedentarismo)

“A ocorrência da doença de Alzheimer em familiares próximos é um dos principais fatores de risco, contudo não é possível precisar essa possibilidade ou determinar se uma pessoa terá ou não a doença”, afirma a médica geriatra da Cora, Dra. Ana Catarina Quadrante.

Como prevenir?

Diversas pesquisas comprovaram que, apesar de não ser possível conhecer as causas do Alzheimer, existem alguns fatores de risco em comum. A maior parte deles é muito semelhante aos fatores de risco de doenças cardiovasculares: tabagismo, hipertensão, obesidade e diabetes.

Isso significa que, caso você tenha algum desses problemas de saúde, a dica é começar a se cuidar o quanto antes, assim você estará a favor tanto do seu coração, quanto do seu cérebro.

De qualquer maneira existem alguns hábitos que podem diminuir a chance de manifestar a doença. São eles:

1 – Faca exercícios físicos

Após uma atividade física como corrida, natação, musculação, futebol, e dança, são liberadas no cérebro neurotrofinas, que são substâncias que ajudam na memória. Recomenda-se a prática de pelo menos duas horas de atividades físicas semanais.

2 – Mantenha a mente ativa

De acordo com o neurologista Paulo Bertolucci, da Universidade Federal de São Paulo, a inatividade cognitiva (falta de estímulos intelectuais), representa um aumento de 19% do risco de desenvolver Alzheimer.

Recomenda-se a prática de “exercícios mentais”, como aprender um novo idioma, tocar instrumentos musicais, fazer palavras-cruzadas, ler com frequência, montar um quebra-cabeça ou estudar. Atividades sociais também são consideradas boas para o cérebro.

3 – Durma bem

Se frequentemente dormimos mal, o cérebro vai sofrendo pequenas perdas. É durante o sono que recuperamos o corpo e absorvemos aquilo que aprendemos durante o dia, sendo importante, portanto, para a memória e para a concentração.

O ideal é dormir oito horas por dia, sem interrupções. Procure relaxar antes de dormir, evitando trabalhar e desconectando da internet.

4 – Tenha uma alimentação equilibrada

A dieta que levamos ao longo da vida faz muita diferença na terceira idade. Uma alimentação balanceada é fundamental para manutenção da saúde e para prevenir o Alzheimer.

A recomendação é seguir a dieta a base de muitas frutas, legumes, azeite, castanhas, e peixes como: sardinha, atum e salmão, que são ricos em ômega 3 e antioxidantes, propriedades que combatem os radicais livres e ajudam a proteger o cérebro.

Uma boa dica é: consumir vinho, de forma moderada, faz bem tanto para o coração quanto para a mente.

Cuidar da saúde do corpo e da mente pode não afastar em 100% o aparecimento da doença de Alzheimer, pois há muita coisa a ser descoberta sobre ela ainda, mas tudo indica que existem diversos fatores que podem desencadear este tipo de demência tardia – e alguns permanecem desconhecidos.

Qual o tratamento para o Alzheimer?

O atendimento médico deve ser procurado assim que os primeiros sinais são percebidos ou quando existe uma suspeita de que as coisas não são como antes. O tratamento deve ser iniciado logo após o diagnóstico.

Há alguns medicamentos que auxiliam na estabilidade da doença e outros que melhoram sintomas relacionados, como a insônia, a inquietude ou a depressão. Estes devem sempre ser prescritos pelos médicos e nunca adquiridos sem receita.

Medicamentos como rivastigmina, donepezila, galantamina e memantina, podem ser prescritos para controle dos sintomas da doença e promover melhor qualidade de vida ao paciente e seus familiares. Essas medicações devem ter prescrição médica e são indicadas a de acordo com os sintomas e fase da doença.

É importante seguir de modo correto a administração dos medicamentos, oferecer os cuidados necessários e estimular atividades físicas e cognitivas, dessa forma garantimos uma melhor qualidade de vida ao paciente. Na Cora, o idoso com Alzheimer pode contar com o cuidado de uma equipe multidisciplinar e é estimulado a socialização. São oferecidas várias atividades que estimulam a cognição e o bem-estar.

O Alzheimer tem cura?

A doença de Alzheimer aparece principalmente na terceira idade, e por ser degenerativa, é irreversível, ou seja, não existe cura conhecida pela ciência ainda. Mas, existem tratamentos a serem feitos nas diversas fases da doença que ajudam a atrasá-la. A ideia é preservar as funções intelectuais da pessoa doente pelo maior tempo possível.

O tratamento deve, sempre que possível, ser iniciado na fase inicial da doença, quando a pessoa mantém um maior número de células cerebrais saudáveis e menos sintomas. Quanto antes for diagnosticado, melhores são as chances de ter uma vida mais longa e mais perto da normalidade.

Dica

Uma dica para ajudar a avaliar os resultados do tratamento é manter anotações diárias sobre a situação e a condição do paciente, porque as diferenças podem ser sutis, porém muito importantes.

Detalhes a serem observados: está cumprindo os afazeres diários com mais facilidade? A memória melhorou? O quadro está estável? O avanço da doença está mais lento que antes? Tudo isso ajudará a responder as perguntas do médico durante a consulta.