Atividades em grupo contribuem para que o idoso forme novos vínculos afetivos

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde como uma “situação de bem-estar físico, mental e social” e indica pilares bases para o envelhecimento ativo da população: participação, saúde e segurança. A socialização – o “fazer parte” de uma sociedade – é algo natural e imprescindível para a saúde e qualidade de vida do ser humano em todas as fases.

Após os 60 anos, com a diminuição dos papéis e das obrigações da vida adulta, o idoso deve ocupar outros espaços para evitar a solidão e garantir novos laços afetivos com a finalidade de integrá-lo à uma comunidade. Cursos, viagens e atividades para idosos são algumas das iniciativas que contribuem para que esse processo ocorra de uma forma tranquila.

Na Cora, a integração social é uma questão tratada com seriedade e de forma prática a partir da promoção de atividades conjuntas de lazer, cultura, exercícios físicos e cognitivos. “A atividade coletiva proporciona a troca de experiências e permite conhecer o próximo de forma mais profunda, além de gerar momentos de descontração e socialização”, explica a fisioterapeuta da Cora, Amanda Shimamuki.

Encarada inclusive como “remédio natural”, a socialização traz benefícios físicos concretos: redução da ansiedade, prevenção da depressão, relaxamento corporal, alívio ou esquecimento temporário das dores, o fortalecimento da memória e a manutenção de uma vida mais ativa. “O convívio social estimula até a regularização da alimentação. Na Cora, o idoso está sempre acompanhado de outros colegas durante as refeições, o que contribui para estimular o apetite”, explica Amanda.

Comunicação

A psicóloga Regina Célia Celebroni, doutora em Distúrbios da Comunicação na linha de pesquisa Envelhecimento e Linguagem, desenvolve projetos de socialização para a terceira idade há mais de 15 anos e percebe os resultados no cotidiano. “Antes eram os pais que levavam os filhos para atividades de socialização na escola e em outros ambiente, agora, é o contrário, são os filhos que estão preocupados em promover a interação dos pais para evitar problemas como a solidão e a depressão”, comenta a psicóloga que coordena o Laboratório Luto e Envelhecimento na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e também é professora da Universidade Positivo Maturidade, em Curitiba.

Uma das ações desenvolvidas por Regina é a Oficina da Palavra, um grupo que promove rodas de conversas que, além de ter um caráter terapêutico, estimula os participantes a usar escrita para expressar suas emoções, sentimentos e lembranças. “São atividades que elevam a autoestima e dão voz a essas pessoas”, explica a psicóloga.

Desafio de gerações

Um dos maiores desafios da maturidade, afirma Regina, é o de estabelecer o diálogo entre gerações diferentes, como avós e netos, devido às diferenças comportamentais aceitas em cada fase. Questões como tatuagens, piercings, novos formatos familiares são recorrentes para permitir esses “encontros intergeracionais” e que são preconizados no Estatuto do Idoso e em projetos e planos de desenvolvimento ativo com a finalidade de promover a qualidade de vida do idoso.

Aqui nos residenciais Cora, o incentivo à comunicação e à socialização fazem parte das prerrogativas de trabalho. Além do bate-papo corriqueiro, novos vínculos são formados a partir de atividades para idosos, bem como aulas de teatro, danças expressivas, musicoterapia, pintura e jogos de videogame. “É uma forma de criar momentos de socialização entre os residentes e os familiares e que tem um impacto positivo na saúde e no bem-estar de todos”, pontua Amanda Shimamuki.

Sobre Regina Célia Celebrone:

Regina Célia Celebrone também é responsável pelo podcast A Voz da Vez – A palavra com quem sabe e com quem quer aprender a envelhecer, disponível no endereço https://www.cultura930.com.br/category/podcast/podcast_avozdavez/ no qual ela entrevista idosos e profissionais que refletem sobre o envelhecimento. Ela é autora do livro Quem Nunca Disse Minha Vida Daria um Livro (Editora Juruá), em que os idosos revisitam suas lembranças e escrevem histórias autobiográficas.